O Ato de Ensinar e a PNL

Por: Adriana Gomes
(cópia de matéria da Revista Vencer) Frente de TrabalhoEdição 40

Profissionais de Ensino brasileiros começam a utilizar a Programação Neurolingüística para garantir a aprendizagem dos alunos de forma eficiente e prazerosa

“Professor, eu fiquei surpresa com a abordagem da PNL aplicada à Educação. Fiz a inscrição em seu curso por curiosidade, mas, ao final, estava maravilhada.” “Sr. Osvaldo, eu amei seu curso, o senhor é maravilhoso! Parabéns pelo seu trabalho. Poderia me enviar um material de apoio?”

Essa é uma amostra de mensagens recebidas por Osvaldo Batista, administrador de empresas, ex-professor de Matemática e Mercado Financeiro, que desenvolveu o curso O Poder da Comunicação no Ensino, um treinamento para educadores na área de PNL (Programação Neurolinguística – ver boxes). Pós-graduado em Administração Financeira e Comércio Exterior, o professor começou a entender a importância dessa ferramenta quando ainda nem havia estudado a fundo o conceito da PNL.

Foi por ocasião de uma aula diferenciada que resolveu aplicar para os seus alunos, há alguns anos. Alguns universitários manifestavam grande dificuldade com as disciplinas por ele ministradas, e então o professor sentiu a necessidade de mudar o formato das aulas. “Fiz um laboratório, simulando um grande mercado financeiro e todos os seus agentes”, conta. Tal laboratório deu ótimo resultado. Ou seja, a matéria complicada, ensinada de forma lúdica, deixou de ser um bicho de sete cabeças para os estudantes.

“Eu comecei a estudar a PNL e percebi que se aplicava perfeitamente ao Ensino”, diz Batista, que começou a formatar o trabalho em 1999, e colocou em prática uma espécie de piloto em 2000. Basicamente, tal trabalho consiste em identificar o canal perceptivo de cada aluno e considerar todos esses canais ao dar uma aula. Algumas pessoas, por exemplo, são sinestésicas, ou seja, percebem melhor o mundo pela via das sensações. “Esses precisam se envolver com o assunto, necessitam de laboratórios”, explica o professor. Já outras são principalmente visuais, e para elas faz diferença uma aula que apresente, claro, recursos visuais. São aquelas pessoas que se manifestam e gostam de ouvir expressões que tenham relação com a visão, como “veja bem”, “está claro?” ou “sim, professor, está limpo”. Há, ainda, o grupo dos auditivos, aqueles que, como o próprio termo denuncia, têm como principal canal perceptivo a audição.

O estudo da PNL aponta, enfim, seis linguagens do cérebro. Além da visual, da auditiva e da sinestésica, existem a olfativa, a gustativa e a auditiva-digital. Mas, vale frisar que muitos profissionais entendem que, embora cada pessoa tenha seu sistema representativo favorito, todos esses sistemas atuam em conjunto e se manifestam de acordo com a necessidade e a ocasião em todos os indivíduos.

Má “ensinagem”

“A maioria dos professores ignora isso e ainda diz que certos alunos têm problema de aprendizagem. Nós, que estudamos a PNL aplicada ao Ensino, sabemos que não existem problemas de aprendizagem, existem problemas de ensinagem”, brinca Batista, que fala com a experiência de quem dedicou muitos anos ao Magistério e atuou também como gerente e diretor de equipes em multinacionais durante décadas. Assim, se um professor é do tipo “visual”, sorte dos alunos que também têm esse como principal canal perceptivo e azar – ou necessidade de esforço redobrada -dos outros. Já o professor que dá aulas sentado o tempo todo tem tudo para fazer o aluno sinestésico dormir. Para o especialista em PNL aplicada à Educação, portanto, “o professor precisa realmente ser trilíngue para atender bem a todos os alunos”.

Essa questão das inteligências múltiplas denuncia: não existe aluno burro, mas, sim, professor despreparado. Papas da PNL reconhecidos em todo o mundo, como o norte-americano Robert Dilts, sempre levaram em conta esse aspecto. Dilts, um dos pioneiros da PNL (atua desde 1975 na área), considerou em seu método a forma como Walt Disney e outros gênios trabalhavam, e transformou-a numa estratégia de criatividade. O desenhista desenvolvia seus brilhantes cartoons em três ambientes diferentes, de acordo com a etapa do trabalho. No ambiente de criação, ele tinha a ideia do que ia fazer, rascunhava seus personagens. No ambiente da prática, ele fazia o desenho. Num terceiro ambiente, chamado de “crítico”, Disney avaliava o resultado do trabalho. Tal análise do trabalho de personalidades como Disney consta no livro A Estratégia da Genialidade (Summus Editorial), de Dilts. Para Batista, a adaptação e a mentalização desse método, por exemplo, pode ajudar o professor a dar aulas mais criativas.

Método antiquado

Para André Luiz Silva Andrade, “a área de Ensino não acompanhou a evolução que se deu nas demais áreas do conhecimento”, pelo menos quanto ao método. “Ainda se ensina como há, pelo menos, 20 anos”, acredita. Consultor de PNL que atua no meio empresarial, ele também estuda neurolinguística aplicada à Educação. “Tenho filhos em idade escolar e posso afirmar categoricamente que, de certa forma, a escola ainda é uma penitência para a criança. Por isso, são raras as crianças que gostam de estudar”, diz. Ele acha que as escolas, no geral, ainda privilegiam um método antiquado, e os professores se acomodam.

Andrade exemplifica com o fato de que, raramente, um método de ensino agradável aparece como base de marketing das escolas. De fato, nas propagandas, vê-se o destaque para a boa infraestrutura das instituições e um corpo docente tecnicamente qualificado, mas raramente com a ênfase para um ensino prazeroso para as crianças, os adolescentes e adultos. “Defendo a PNL aplicada a partir da escola primária até o nível superior”, sentencia.

“Além da questão da aprendizagem propriamente dita, o relacionamento entre alunos e professores também fica muito melhor”, lembra o professor Osvaldo Batista, sobre os benefícios da PNL aplicada ao Ensino. Como exemplo, se um professor muito conservador se recicla e passa a considerar os fundamentos da PNL, o aluno – antes distante daquele mestre bravo e arredio ao contato com os pupilos – se sente à vontade para fazer questionamentos. “A linguagem do professor fica mais próxima da linguagem do estudante”, complementa Batista.

Oriente-se, mestre!

A Sociedade Brasileira de PNL (www.pnl.com.br), entidade-empresa com sede na capital paulista que tem mais de 22 anos de atuação, ministra diversos cursos específicos para quem quer atuar com Programação Neurolinguística aplicada a áreas específicas, como o Ensino. A SBPNL segue os padrões estabelecidos pela American Society of Neuro Linguistic Programming, entidade que congrega profissionais da área em todo o mundo. Oferece os chamados cursos de aplicação (PNL para Professores, por exemplo), os de formação (para aprender a PNL) e, ainda, módulos exclusivos para adolescentes.

Para aqueles professores que acreditam que saber ensinar é uma responsabilidade do educador, vale a pena lançar mão da PNL como recurso de aperfeiçoamento. O administrador Osvaldo Batista optou por uma combinação de módulos de formação em PNL (básico, master e trainer); outro, que utiliza recursos como a hipnose, e ainda um segundo curso extra, que privilegia o autoconhecimento. Denominado Hipnose, Metáforas e Histórias, um dos cursos escolhidos por Batista ensina, entre outras coisas, a contar histórias que ajudem a entrar em contato com o inconsciente das pessoas. Já o outro, chamado de Essência da Identidade, desenvolve o autoconhecimento do educador.

Batista também aconselha aos interessados que participem de seminários e eventos com especialistas internacionais em PNL para lapidar o conhecimento. Ele, por exemplo, fez um treinamento que considera valioso, com o britânico Joseph O´Connor, que é autor ou co-autor de dezenas de obras importantes, muitas publicadas no Brasil, entre elas, Introdução à PNL, em parceria com John Seymour (Summus Editorial), que foi traduzido para 14 línguas.

O professor Osvaldo Batista ministra seu seminário O Poder da Comunicação no Ensino para instituições de Ensino interessadas, com data e local agendados previamente. Contatos pelo telefone 11-5096-6716 ou por meio do site www.avancartreinamento.com.br. Vale a pena, ainda, consultar o site www.golfinho.com.br, um informativo virtual de PNL que indica diversos locais que ministram cursos em todo o País, e ainda oferece dezenas de links para pesquisa bibliográfica, artigos e sites relacionados ao assunto.

Matéria da VENCER! foi divisora de águas

Os especialistas em PNL entrevistados pela VENCER! para esta matéria informaram que a edição número 31, de abril de 2002, contribuiu de maneira surpreendente para derrubar o mito de que a PNL não mereceria credibilidade por ter sido introduzida de uma maneira considerada pouco séria no Brasil. “Percebi que, a partir dali, a visão no meio seria outra. Até os anunciantes desta e de outras revistas passaram a divulgar trabalhos relacionados à Programação Neurolinguística que tinham deixado de ser mencionados”, observou o professor Osvaldo Batista, especialista em PNL aplicada ao Ensino. André Luiz Silva Andrade concorda com o colega: “A matéria fez a diferença”.

A reportagem colocou a PNL no lugar que merecia, informando que a disciplina já havia chegado no meio acadêmico, apesar dos detratores que teimavam em não reconhecer a seriedade do trabalho, principalmente aqui no Brasil. No texto, destaque de capa, explicava-se como tal instrumento era, de fato, capaz de desenvolver o autoconhecimento e a capacidade de aprendizado.

Isso porque a PNL tinha passado a ser encarada com desconfiança e até acusada de charlatanismo. Ocorre que em muitos países, inclusive no Brasil, a disciplina teve uma estreia considerada espalhafatosa demais para merecer respeito dos estudiosos mais puristas. A divulgação era feita por meio de espetáculos permeados por um trabalho de marketing considerado “barato”. Aconteceu algo parecido com a hipnose, que também foi encarada com preconceito inicialmente, mas, hoje, é cada vez mais utilizada na medicina, como recurso para o combate à dor e na cura da depressão, por exemplo.

Voltando à PNL, acredita-se que sua credibilidade está definitivamente resgatada. Já é objeto de boas teses de mestrado e doutorado no Brasil; cientistas da Nasa a estão utilizando em seus treinamentos e consultorias internacionais já a consideram uma ferramenta quase indispensável, apenas para mencionar alguns exemplos. Enfim, a PNL já é aceita como ciência do comportamento e da comunicação humana. Começou a ser estudada na década de 1970, nos EUA, pelo linguista John Grinder e o psicólogo Richard Bandler. Eles se uniram para estudar a linguagem e o comportamento dos profissionais que eram considerados excelentes em suas áreas de atuação, decodificando atuações bem-sucedidas e formatando-as, para que essas atuações de sucesso fossem ensinadas a outros profissionais.

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